Produção de cerveja cresce com oportunidade para engenheiros

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Ter, 14/12/2021 - 09:01
Produção de cerveja cresce com oportunidade para engenheiros

Brasil tem 1.383 cervejarias registradas no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Um aumento de 14,4% em relação ao ano anterior, segundo o Anuário da Cerveja 2020. O crescimento gera oportunidades para engenheiros químico e engenheiros de alimentos, profissionais fundamentais no processo de fabricação desde líquido tão apreciado no mundo. Em consumo, a cerveja só perde para a água e o chá no mundo. 

De acordo com a Associação Brasileira da Indústria da Cerveja, a produção nacional é de aproximadamente 14 bilhões de litros por ano e representa 1,6% do Produto Interno Bruto (PIB). A produção artesanal impulsionou este mercado nos últimos anos. Mas, pequenos ou gigantes no mercado, fabricantes precisam respeitar as normas de fabricação, com padrões de qualidade e desempenho. Quem explica é engenheiro químico, Pedro Henrique Silva Calhau. 

Pedro: Os engenheiros químicos e os engenheiros de alimentos são profissionais que possuem conhecimento completo em todas as etapas do processo, dessa forma esses profissionais são capazes não somente de monitorar mas também de propor novas condições de operação, desenvolvimento de novos métodos que se ajustem melhor a cada tipo de matéria prima e utilizar os parâmetros de operação para reduzir consumo de água e energia elétrica a vapor, desenvolver novas formulações de produtos que tenham as características sensoriais desejáveis ao público-alvo do produto por exemplo.

Pedro ressalta ainda a questão da segurança na produção da cerveja. A fórmula tradicional mistura água malte e lúpulo. No entanto, a seleção dos ingredientes é apenas parte de um processo complexo que envolve muitas etapas, como fermentação, filtragem, envase, armazenamento e distribuição. 

Pedro: Avaliar quais são os fatores de contaminação e os principais fatores de contaminação seja a contaminação química física ou biológica. Quais são os maiores fatores de risco e realizar alterações no processo montando  instalações para mitigar  essas fontes de insegurança. Além disso, tem as atribuições para poder desenvolver os problemas de segurança alimentar, por exemplo,  como um manual de boas práticas de fabricação, o programa de análise de perigos e pontos críticos de controle APPCC e dessa  forma a atuação desses profissionais, ela aumenta a segurança dos consumidores, mas também das demais pessoas envolvidas nos processos de fabricação.

Doutora em engenheira química, Carolina Maria Ferreira dos Santos destaca outras competências importantes requeridas a profissionais que atuam na área. Coordenadora de cursos de engenharia no Centro Universitário de Belo Horizonte, UniBH, a conselheira da Câmara de Engenharia Química do Crea-MG diz que é preciso reunir competências técnicas e gerenciais. 

Carolina: É justamente entender tanto no aspecto do processo  industrial de equipamento e as condições do equipamento. Assim como as propriedades da matéria prima e as propriedades do produto também, então ele tem essa formação  ampla tanto o engenheiro químico quanto o  engenheiro de alimentos que confere essa  competência de supervisionar e ser responsável técnico de uma unidade de produção de bebidas.

O Brasil é o 3º maior produtor de cerveja do mundo, atrás apenas de China e Estados Unidos, segundo pesquisa publicada em 2020 pela Barth-Haas Group. No ranking dos bebedores, o país está fora da lista do 10 mais. Os brasileiros consomem em média 62 litros de cerveja por ano. Menos que os europeus da República Tcheca, Áustria e Alemanha, campeões da lista, todos com mais de 100 litros por pessoa. 

Renato Franco
Rádio Crea-Minas