Futuro engenheiro terá perfil técnico e gerencial

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Ter, 18/01/2022 - 11:20
Futuro engenheiro terá perfil técnico e gerencial

Imprimir maior dinamismo e autonomia ao processo de aprendizagem, por meio do engajamento do aluno em atividades práticas desde o primeiro ano do curso. Promover aprendizado baseado em metodologias ativas, com solução de problemas concretos e que exijam conhecimentos interdisciplinares. Estes são alguns pontos de destaque da Revisão das Diretrizes Curriculares Nacionais dos Cursos de Engenharia, que deverão ser implementados no Brasil até dezembro de 2022. O conselheiro da Câmara de Geologia do Crea-MG, engenheiro de minas José Margarida, acompanha os debates técnicos e diz que a mobilização busca instrumentos para qualificar as metodologias de ensino e combater a evasão escolar.

José Margarida - Atualizar os cursos é uma tarefa constante, tendo normas específicas ou não apontando nesse sentido, nós temos que combater a evasão escolar, nós temos que criar cursos que estejam mais sintonizados tanto com o mercado quanto com a sociedade. Essa é uma tarefa de adaptar aos novos tempos sem, evidentemente, deixar de ter as competências fundamentais da engenharia. Colocar nos cursos as questões de controle, automação, modernização, mas também adaptando questões sociais para formação do engenheiro do futuro.

A articulação é liderada pela Associação Brasileira de Educação em Engenharia (Abenge) e conta com o apoio da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e do Conselho Nacional de Engenharia e Agronomia (Confea). O trabalho começou logo após a publicação da Resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE), que instituiu as novas Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Engenharia (DCNs), em abril de 2019. Professor do Curso de Engenharia de Minas Universidade Federal de Ouro Preto, José Margarida ressalta que as universidades devem induzir a adoção de novas abordagens de ensino aprendizagem que envolvam maior aproximação com o mercado, com competências técnicas e gerenciais. 

José Margarida: Os alunos dessa nova geração aprendem de formas diferentes e nós precisamos avançar com metodologias que trabalhem mais diretamente os problemas que eles vão enfrentar na prática. Então, desde 2002 com as DCNs antigas e muito mais agora,  a partir de 2019, essa ideia do  mão na massa, dos alunos já aprenderem a resolver problemas, evidentemente não esquecendo de uma parte teórica, mas incluindo mais questões práticas nos cursos e trabalhos mais diretos pelos alunos, aprendizado pela experiência deles. As novas diretrizes dos cursos são para que o envolvimento social dos alunos, a aquisição de conhecimentos nesse campo social, trabalhos direto com as necessidades da sociedade, transmissão do conhecimento, que são chamados hoje de Soft Skills, competências a partir dos conhecimentos sociais da realidade.

Outra recomendação prevista na Revisão das Diretrizes Curriculares Nacionais dos Cursos de Engenharia é a promoção frequente de fóruns, com participação de profissionais, empresas, organizações públicas e privadas. A ideia é que todos contribuam nos debates sobre demandas sociais, humanas e tecnológicas para acompanhar a evolução constante da Engenharia. Desta forma, haverá melhor definição e atualização do perfil do aluno que vai ingressar no mercado de trabalho. 

 

Renato Franco
Rádio Crea-Minas
Publicada em 29 de novembro de 2021