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Boa parte do tráfego de veículos da Região Metropolitana de Belo Horizonte passa pelo Anel Rodoviário, um trecho de 27 quilômetros projetado na década de 1950 e duplicado na década de 70. Neste tempo, a frota multiplicou. E o sistema viário não acompanhou esta evolução. A rodovia recebe todos os dias cerca de 160 mil veículos: oito vezes mais do que no ano de sua inauguração, em 1958. Diferentes gestões estaduais e federais buscaram soluções para dar mais segurança aos usuários da via. São frequentes os acidentes graves ali.Engenheiros ligados ao Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva defendem um rodoanel para desafogar anel rodoviário, melhorar a logística  e, principalmente, preservar vidas. Entre 2007 e 2017, 340 pessoas morreram e mais de 10 mil ficaram feridas na rodovia que corta a capital. Os dados são da Polícia Militar de MG.A proposta do rodoanel foi apresentada durante palestra no Crea-Minas, a convite do Grupo de Trabalho de Transporte e Trânsito do Conselho

A nova rota consiste em trechos alternativos ao atual, especialmente para o atendimento aos veículos de carga em viagens inter-regionais. O projeto, com três alças, também permitiria, segundo estudos técnicos, desafogar o tráfego na Grande BH melhorando e redirecionando o fluxo regional do transporte de longa distância e liberando o anel rodoviário. O engenheiro civil Maurício de Lana, diretor do Sinaenco, destacou na palestra os principais entraves à realização do projeto.  

Maurício de Lana: É evidente que esta questão tem que ser resolvida, porque a logística está comprometida. E a solução é de custo elevado, por conta da complexidade do relevo e presença de área urbana. Há ainda questões ambientais, que terão de ser enfrentadas de forma objetiva buscando as compensações devidas e plenas discussões e aprovação dos órgãos ambientais. O governante, seja ele do governo estadual ou federal, porque envolve mais de um município, tem que estar determinado a resolver este problema. 

engenheiro civil Elzo Jorge Nassaralla também participou do encontro. Diretor do Sinaenco, ele trabalhou na duplicação do anel rodoviário, na década de 1970. 

Elzo Jorge Nassaralla: Uma coisa que já poderia ser resolvida, porque já há projetos de alargamento de 20 anos atrás. Só para ter uma ideia, a cidade de São Paulo tem um rodoanel de 150 quilômetros e já fala num segundo rodoanel. Nos não temos nem o primeiro, porque nosso anel rodoviário é um meio anel. E eu sempre debito esta questão às autoridades federais. Não é descaso, mas parece que Minas não tem força. Porque não conseguimos nada, nem dinheiro para fazer o estudo. Imagina para construir?

O Rodoanel de Belo Horizonte já foi analisado por diferentes gestões do governo estadual.  A Alça Norte chegou a ter estudo de viabilidade para concessão à iniciativa privada, o que não se concretizou. Ela compreende o trecho da BR-381 entre Ravena e Betim, numa extensão de 68 km. Esse trecho já foi projetado e o valor da obra chegaria a R$ 5,4 bilhões. 

Já a Alça Sul ligaria a BR-381, em Betim, a BR-040, na região Sul de BH. Devido as condicionantes ambientais foram estudadas três alternativas com extensões de 28 km a 37 km. O valor estimado da obra varia de R$ 2,2 bilhões a R$ 3,9 bilhões. Alça Leste tem como estudo preliminar outro traçado: da BR-381, em Ravena, até a BR-040, também na região Sul da capital. Não há orçamento para este trecho.

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