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A Sociedade Brasileira de Recuperação de Áreas Degradadas (Sobrade) organizou, com o apoio do Crea-Minas, um seminário que ocorreu entre os dia 10 e 12 de setembro de 2018. O evento, que contou com minicursos, palestras e visitas técnicas, abordou práticas de recuperação de áreas degradadas com ênfase no bioma Cerrado, que cobre cerca de 22% da extensão territorial nacional.

Segundo dados do Ministério do Meio Ambiente, o Cerrado ocupa uma área de 2.036.448 km², sendo o segundo maior bioma sul-americano e incidindo sobre 11 estados brasileiros. O bioma é considerado um hotspot mundial, uma área de grande biodiversidade, tendo em sua extensão territorial, as nascentes das três maiores bacias hidrográficas da América do Sul. Do ponto de vista da diversidade biológica, o Cerrado brasileiro é reconhecido como a savana mais rica do mundo, abrigando 11.627 espécies de plantas nativas e uma fauna de 2.566 espécies conhecidas.

Apesar de ter sua importância biológica reconhecida internacionalmente, o Cerrado possui apenas 8,21% de seu território legalmente protegido por unidades de conservação, sendo apenas 2,85% deste total, unidades de conservação e proteção integrais.  “Hoje [11 de setembro] é comemorado o Dia Nacional do Cerrado, considerado o bioma mais afetado e degradado do Brasil, seja por atividades de agricultura, pecuária, abertura de rodovias, grandes obras ou barragens, entre outros. O seminário vem para pautar a questão da recuperação das áreas submetidas a danos por estas atividades”, ressalta o engenheiro florestal Maurício Balensiefer, presidente da Sobrade.

Com carga horária de 12 horas, o evento atraiu engenheiros florestais, agrônomos e estudantes. Com palestras tratando de questões econômicas, históricas, socioculturais e de bioengenharia, apresentou iniciativas inovadoras e trabalhos voluntários na área de preservação e recuperação de áreas degradadas no Cerrado brasileiro.

Na oportunidade, foram enfatizadas a importância da preservação e de práticas que consideram questões ambientais durante a realização de projetos de engenharia e agronomia. “Nosso grande desafio é utilizar este Bioma de forma sustentável. Não podemos prescindir da produção agrícola nesta área, mas também não podemos abrir mão deste patrimônio ambiental.  Esta discussão caminha para buscarmos soluções para este problema", reforça o engenheiro agrônomo Amarildo Kalil, secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais.

Para o conselheiro da Câmara Especializada de Agronomia do Crea-Minas, engenheiro florestal João Paulo Sarmento, apoiar esse tipo de evento é uma forma de o Conselho inserir profissionais, principalmente engenheiros florestais e agrônomos, nas ações de recuperação ambiental, esclarecendo sobre questões e universalizando diretrizes da criação de projetos que respeitem as regras do Cadastro Ambiental Rural (CAR) do Ministério do Meio Ambiente. “Buscamos, com a realização do seminário, agregar novos conhecimentos aos profissionais que estão intimamente ligados com as questões ambientais, os orientando no sentido da realização de procedimentos de recuperação ambiental e criação de projetos dentro de regras que respeitem a ecologia”, destacou João Paulo Sarmento.