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O 12º Simpósio Internacional de Ferrocimento e Compósitos Cimentícios Delgados: A Tecnologia na Escala Humana – Ferro12 está sendo realizado pela primeira vez na América do Sul, na sede do Crea-Minas, de 16 a 18 de julho de 2018. O evento internacional, organizado pelo Crea-Minas, Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) e Sindicato de Engenheiros no Estado de Minas Gerais (Senge-MG), reúne especialistas dos Estados Unidos, Índia, Alemanha, Itália, México, Reino Unido, Cuba, Sérvia e Brasil. Na manhã do segundo dia foram apresentadas duas palestras magnas, além de uma sessão técnica.

O professor emérito do Instituto Superior Politécnico José A. Echeverría (ISPJAE) de Havana, Cuba, Hugo Wainshtok Rivas, apresentou a palestra “Ferrocimento: passado, presente e futuro”. Rivas contou um pouco da história do material e como ele foi introduzido em Cuba para a construção de barcos, piscinas e habitações. O professor destacou que construir uma piscina em Cuba, por exemplo, em ferrocimento, é de três a cinco vezes mais barato que fazê-la em concreto. O professor falou que o futuro do ferrocimento é agora, com uso de polímeros que não oxidam. No entanto, chamou atenção para a diferença de resistência, de elasticidade. “Mas há que se ter cuidado porque há uma deformação maior”, alertou. Sobre a construção de habitações, Rivas explicou que o material é muito utilizado em Cuba. “É possível fazer uma casa por dia utilizando pré-fabricados de ferrocimento”, enfatizou.

A segunda palestra foi proferida pelo professor titular italiano de análise estrutural e projeto, Liberato Ferrara. Ele também é professor visitante da Northwestern University, nos Estados Unidos, e da Universidade de Jiaotong de Beijing, na China. Liberato é responsável por projetos de cooperação científica com vários países pela Politécnica de Milão. Sua palestra tratou do tema: “Compósitos cimentícios avançados: um ganho para a engenharia civil enfrentar os desafios sociais e econômicos do Século XXI”. Liberato destacou a preocupação com a sustentabilidade e as pesquisas que do uso de novos materiais como agregados. “Há pesquisas de uso de pneus, garrafas PET, fibras alimentícias. Sabemos que o concreto tem uma pegada ambiental e novos materiais podem melhorar a durabilidade dos compósitos cimentícios”, afirmou o professor.

Sessão técnica

Depois das palestras magnas houve apresentação de quatro trabalhos na sessão técnica “Análises, projetos e construção”. O primeiro trabalho, de autoria de Margarito Ortiz Guzmán, Valentín J. Morales Dominguez e Rafael Alavéz Ramírez, do Instituto Politécnico do México, foi apresentado pelo engenheiro civil e mestre em construção Margarito. Com o tema “Caracterização mecânicas de um sistema híbrido de paredes para construções em clima temperado”, o trabalho abordou o desenvolvimento tecnológico de componentes construtivos híbridos pré-fabricados de argamassa e solo reforçados para a construção em habitação social. 

Na sequência, Margarito apresentou o trabalho “Avaliação e melhoria hidrotérmica de quatro modelos de sala de aula na cidade de Oaxaca, México, no período de verão”, de autoria do mestrando Bruno Salinas, da Universidade La Salle de Oaxaca, e do professor Rafael Alavéz Ramírez, do Instituto Politécnico Nacional, também de Oaxaca. O experimento consistiu no monitoramento térmico realizado, bem como as estratégias de projeto para quatro modelos de sala de aula com  objetivo de conseguir conforto térmico no período de verão.  

O terceiro trabalho, “Comportamento mecânico e cicatrização autógena de compósitos cimentícios reforçados por filtros naturais contínuos”, foi apresentado pela doutoranda em engenharia civil pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro Letícia Oliveira de Souza. O trabalho, de autoria dela e dos professores Lourdes Maria Silva de Souza e Flávio de Andrade Silva, também da PUC Rio, investiga o comportamento mecânico de compósitos finos à base de cimento reforçados com fibras naturais unidirecionais de carauá. No experimento, o cimento foi parcialmente substituído por metacaulim, um geopolímero pozolânico, e cinzas volantes, de modo a fornecer uma matriz com baixo teor de CH. Os resultados mostraram que o compósito cimentício reforçado com tecidos de curauá é um material promissor.

Fechando a manhã, a doutoranda em engenharia civil pela PUC Rio, Rebecca Mansur de Castro Silva, apresentou o trabalho de sua autoria em parceria com professor Flávio de Andrade Silva, "Ensaios de tração direta em concretos têxteis com tecido de carbono de malha aberta".  Segundo ela, o uso de Concreto Reforçado Têxtil (TRC) na prática de construção cresceu consideravelmente nos últimos anos. No entanto, a falta de padronização apropriada para métodos experimentais de teste para determinar o comportamento tensível do TRC e as propriedades de interface podem prejudicar o uso deste material. No artigo, Rebecca apresenta uma metodologia para testar TRC com telas de carbono bidirecionais de malha aberta.

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