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Novos materiais e tecnologias foi o tema da primeira sessão técnica do 12º Simpósio Internacional de Ferrocimento e Compósitos Cimentícios Delgados:  A Tecnologia na Escala Humana – Ferro12, organizado pelo Crea-Minas, Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) e Sindicato de Engenheiros no Estado de Minas Gerais (Senge-MG). Na tarde do dia 17 de julho de 2018, representantes do Brasil, Alemanha, Sérvia e Estados Unidos apresentaram experiências relativas à incorporação de sistemas inteligentes e de geração de energia, incorporação de outros materiais ao cimento, questões sobre normalização e modelo de negócios.

Inteligência e energia - Andreas Koch apresentou a Integração de sistemas de geração de energia em componentes de construção de concreto armado (TRC) para o envelope do edifício. O trabalho, realizado por Andreas Koch,  coordenador de Maquinário Têxtil, e Thomas Gries, diretor de pesquisa, ambos do Instituto de Tecnologia Têxtil da Universidade de Aachen, Alemanha, abordou as vantagens do concreto reforçado com malha têxtil na produção de elementos de fachadas. O estudo aponta que o próximo passo para o material é a sua integração a sistemas inteligentes e sistemas de geração de energia. A viabilidade desse tipo de integração foi comprovada em testes realizados com indústrias e instituições parceiras.     

Cinza de casca de arroz - O Efeito do fator de volume de fibra incorporado em compósitos à base de cimento com e sem adições minerais foi apresentado pelo professor doutor  Conrado de Souza Rodrigues, do Cefet-MG. O trabalho, que foi desenvolvido em parceria com Felipe Sérgio Bastos Jorge, mestre em engenharia civil, expôs os resultados realizados com a adição de cinza de casca de arroz nos compósitos de cimento voltada para a densificação da Zona de Transição Interfacial. Conrado explicou que a cinza de casca de arroz possui alto teor de sílica amorfa, que confere maior densidade à matriz de cimento e redução de poros. Segundo o pesquisador, esta é uma alternativa viável para reduzir o impacto causado pelo uso do cimento sem que haja perda de performance.

Mais sustentabilidade - Os pesquisadores do Departamento de Engenharia de Materiais e da Construção da UFMG Alessandra Tolentino Souza, Thiago Ferreira Barbosa, Lucas Andrade Riccio e White José dos Santos, professor orientador, fizeram uma Análise da influência da adição de calcário na argamassa estrutural auto-compacta. Incumbida da apresentação dos resultados, Alessandra Souza destacou a contribuição da pesquisa no sentido de buscar alternativas mais sustentáveis e compatíveis com a necessidade de gerar menos emissões de gases de efeito estufa.

Baixo custo - Milenko Milinkovic, engenheiro e empresário sérvio que reside na República Democrática do Congo, contou que iniciou suas experiências com a utilização do ferrocimento na década de 1980. Mestre em engenharia elétrica, ele falou sobre a utilização de Ferrocimento em habitações de baixo custo, apresentando o MC Sistema de Construção Sustentável.  Com o sistema desenvolvido e patenteado por Milinkovic, é possível economizar pelo menos 20% em comparação a edificações com a mesma eficiência energética. Outros números favoráveis são o de manutenção e operação, que chegam a ficar 50% menores com a tecnologia, e a agilidade na construção, cujo tempo de entrega é 200% mais rápido.

Resistência e tração - Ângela Silveira Santos, graduanda em Engenharia Civil pelo Cefet-MG, apresentou estudo sobre Avaliação da influência da relação água / cimento na resistência do concreto armado com resíduo metálico. O trabalho foi orientado por Ana Cecília Estevão e co-orientado por Felipe Sérgio Bastos Jorge, com participação dos estudantes João Paulo Barbosa Chaves e Bruna Gomes Penha dos Santos. A pesquisa avaliou a incorporação de resíduos metálicos na matriz de concreto, a fim de aumentar a tenacidade do compósito. Os resultados apontaram para pequenos ganhos na resistência à tração do concreto e perdas na resistência à compressão.

Padrões e inovação - O engenheiro de estrutura Antonio Nanni, professor coordenador do Departamento de Engenharia Civil, Arquitetura e Meio Ambiente da Universidade de Miami falou sobre a Implementação de novas tecnologias para reparos – componentes SRG (steel reinforced grout). Nani destacou o papel da padronização, códigos e diretrizes para o desenvolvimento de novas tecnologias. “Na indústria da construção, os padrões estão em tudo, códigos para projetos, especificação de materiais e métodos construtivos, protocolos de inspeção e procedimentos de teste”, reforçou. Segundo o engenheiro, é importante que os profissionais estejam ao mesmo tempo atentos aos padrões e abertos às inovações.

 

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