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Começa na segunda-feira, dia 16 de julho de 2018, o 12º Simpósio Internacional de Ferrocimento e Compósitos Cimentícios Delgados: A Tecnologia na Escala Humana • Ferro12. O evento será realizado em Belo Horizonte, na sede do Crea-Minas. O simpósio, que ocorre pela primeira vez na América do Sul, faz parte de uma série contínua de Simpósios, iniciada no final da década de 70, e realizada a cada três anos. 

Durante três dias, especialistas de todo mundo irão discutir o uso desta tecnologia que oferece diversas vantagens, como ser sustentável, durável e de baixo custo. O Simpósio é uma realização do Crea-Minas em parceria com a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) e Sindicato de Engenheiros no Estado de Minas Gerais (Senge-MG).

Ferrocimento em Minas Gerais

Em Minas Gerais, o ferrocimento tem sido muito utilizado em saneamento em função de suas características. Desde o início da década de 1990, a Copasa adotou a solução nos sistemas de saneamento rural, na construção de pequenas Estações de Tratamento de Água (ETAs). “O ferrocimento é usado para a construção de reservatórios porque é uma tecnologia simplificada, altamente resistente e boa para armazenar água. As pessoas que trabalham numa obra de ferrocimento aprendem a fazer e há uma multiplicação desse conhecimento, desta tecnologia”, explica o presidente da Sociedade Brasileira de Ferrocimento (SBF), engenheiro civil Sávio Nunes. O engenheiro destaca que as ETAs construídas em ferrocimento apresentam uma  redução de 50 a 70% no custo quando comparadas às de concreto ou mesmo de fibra de vidro.

No entanto, a tecnologia do ferrocimento vai além de pequenas ETAs, servindo também para grandes estruturas de armazenamento de água como é o caso da projetada e construída pela Copasa, em Divinópolis. A ETA tem dois tanques flocodecantadores de 750 mil litros cada e o desafio  era construir uma ETA com capacidade de vazão 150 litros por segundo para atender entre 50 e 70 mil pessoas. O trabalho foi acompanhado pela UFMG, que colocou aparelhos para medir a real deformação da estrutura. “Fizemos cálculos estruturais e medimos em escala real, na prática, a deformação. No resultado, vimos que ela foi bem semelhante à anteriormente calculada, o que significa que ela pode ser repetida em escala, pois temos um cálculo real verificado na prática para essas grandes estruturas de ferrocimento”, explica Sávio.

Água de chuva

Em função do ótimo custo-benefício, outra prática que está em fase de estudo é o armazenamento de água de chuva em estruturas de ferrocimento.  “Aqui em Minas temos um potencial de água de chuva de 1000 mm por m2, isso quer dizer que uma casa de 100 m2 facilmente captaria 100 mil litros de água por ano”, destaca Sávio. Ele conta que, como a tecnologia é simples, pessoas da comunidade podem aprender e fazer caixas d’água de até 30 mil litros, mas com cálculos de engenharia é possível fazer tanques maiores. “Uma caixa d’água de 50 mil litros, 100 mil litros em ferrocimento apresenta um custo beneficio bem interessante. E ela pode ser totalmente ou parcialmente enterrada. O material é muito resistente, você pode andar por cima da estrutura e até fazer um jardim por cima da sua caixa coletora de água de chuva”, finaliza.

Boletins de Rádio disponíveis em:

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Professor Conrado de Souza Rodrigues fala sobre o Ferro 12 

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[foto: Sávio Nunes]