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O estado com o maior número de rodovias do país subutiliza a malha ferroviária. Unidade estratégica à logística do Brasil, Minas Gerais tem o equivalente a 16% de todas as estradas construídas. São mais de 269 mil kms de rodovias. Não por acaso, a greve dos caminhoneiros, com bloqueios em trechos no final de maio e início de junho, provocou grandes prejuízos à economia regional. Não há alternativa disponível para reduzir custos de transporte de carga e de passageiros. Segundo estudo da Confederação Nacional da Indústria, com base em dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres, a malha ferroviária nacional tem aproximadamente 28 mil quilômetros. 30% das linhas estão inutilizadas e 23% sem condições operacionais. Em Minas, o cenário não é diferente.  O estado soma 8 mil quilômetros de trilhos. Mas 4.800 km estão em condições de uso. E, destes, 3.300 são efetivamente utilizados. A Comissão Extraordinária Pró-Ferrovias Mineiras da Assembleia Legislativa do Estado quer entender esta realidade, e terá o apoio técnico do Crea-Minas. O diretor de planejamento, gestão e tecnologia do Conselho, engenheiro mecânico Waldimir Teles, defendeu em agenda na casa que é imprescindível investir em infraestrutura e renovar as concessões da malha ferroviária. 

Waldimir Teles: "Esta comissão está pensando exatamente na atual condição das ferrovias mineiras, fazendo um levantamento geral, buscando junto ao Ministério Público as questões das concessões, verificando a totalidade da malha. Para ver as que estão sendo realmente utilizadas, as que não estão em uso, as abandonadas. E isto traz uma degradação ao patrimônio do estado". 

Dados da Confederação Nacional do Transporte apontam que o sistema rodoviário é responsável por 61% de toda a carga transportada no Brasil; 21% seguem por ferrovias, 14% por hidrovias e terminais portuários fluviais e marítimos e menos de 1% por via aérea. 

Waldimir Teles: "Existe também o problema natural do transporte rodoviário. Nós temos estradas em péssimas condições, intransitáveis em período de chuva. Isso já traz um transtorno grande neste modal. No transporte ferroviário tem uma série de vantagens, como o custo. Então a gente tem que investir nesta malha, independente da greve que houve. Há benefícios para carga, passageiros. E não podemos esperar por problemas futuros, como este". 

Membros da comissão visitaram, no início deste mês, a Agência Nacional de Transportes Terrestres. A ideia é acompanhar o processo de renovação antecipada das concessões ferroviárias,exigindo mais investimentos na malha do Estado. Segundo parlamentares, medidas compensatórias de cessões territoriais estariam privilegiando apenas os estados de Mato Grosso e São Paulo. O grupo obteve da ANTT o compromisso de realizar cinco audiências públicas para discutir o assunto. As agendas serão realizadas até o final deste ano nas cidades de Ipatinga (Rio Doce), Divinópolis (Centro-Oeste), Juiz de Fora (Zona da Mata), Montes Claros (Norte) e Belo Horizonte. Em todas elas, haverá a participação efetiva de representantes do Crea-Minas, a partir da atuação das inspetorias do Conselho nas regiões.