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Nos dias 10 e 11 de maio de 2018, o Crea-Minas realizou o seminário Engenharia: Alavanca para o Desenvolvimento, em Araxá. A abertura solene foi realizada na noite de 10 de maio (leia mais) e o dia 11 foi dedicado a uma intensa programação técnica.

Na parte da manhã, o evento discutiu o papel da engenharia na gestão municipal, especialmente os temas relacionados à gestão ambiental e a importância do trabalho técnico no diagnóstico, elaboração de projetos e execução de serviços para melhor atendimento das demandas públicas.

A tarde, os participantes debateram sobre as habilidades sócio-emocionais em tempos de mudanças como as trazidas pela denominada Indústria 4.0. Também discutiram sobre a NBR 15.575, conhecida como Norma de Desempenho, que entrou em vigor em 2013 e apresenta novas obrigações para todos os envolvidos, desde o responsável pelo projeto até o usuário final.

A programação contou ainda com apresentação da Mútua, com palestra da Cemig Distribuição sobre Segurança da População – Obras civis x rede elétrica de distribuição e com palestra sobre o Simpósio Internacional de Ferrocimento - Ferro 12, que ocorrerá no Crea-Minas, de 15 a 18 de julho deste ano.

Gestão ambiental

O painel Gestão Ambiental na Administração Pública teve como moderador o promotor de justiça de Araxá, Márcio Oliveira Pereira. O primeiro painelista foi o promotor de justiça e coordenador Regional de Meio Ambiente em Montes Claros, Lucas Marques Trindade. Ele destacou o empoderamento dos municípios na gestão ambiental e a importância desta descentralização. “Assim a população fica mais perto e pode exercer seu papel participando de forma ativa da construção das políticas públicas. Lembrando que grandes poderes trazem grandes responsabilidades”, enfatizou Lucas, em uma referência a uma cena do Homem-Aranha, quando o tio do super-herói reforça a questão da responsabilidade.

Em seguida, a gerente de Resíduos Sólidos da Fundação Estadual de Meio Ambiente (Feam), Denise Marilia Bruschi, falou do trabalho que vem sendo realizado e das dificuldades enfrentadas pelos municípios. Denise acredita que é necessário que as políticas de gestão de resíduos sejam institucionalizadas para que não sejam interrompidas quando há mudança de comando nos munícipios. “Muitas vezes o trabalho é perdido por  falta de manutenção e continuidade, como por exemplo aterros sanitários que voltam a ser lixões”, explicou.

O prefeito de Andradas e diretor de Relações Institucionais da AMM, Rodrigo Aparecido Lopes, contou um pouco sobre o trabalho realizado no município que faz parte de um consórcio que cuida do lixo de cinco cidades. Ele também falou do empoderamento dos municípios. “Temos problemas com repasse de verbas, mas quando fazemos a gestão dos recursos, conseguimos baixar os custos”, explicou Rodrigo.

Já o professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) – campus Governador Valadares, Eder Marques de Azevedo, falou sobre o papel do cidadão na gestão dos resíduos. “A gestão vai muito além do que a prefeitura compra e contrata. A população tem que contribuir não só na construção das políticas públicas, mas também fazendo escolhas conscientes”, considerou.

O representante do Instituto de Planejamento e Desenvolvimento Sustentável de Araxá (IPDSA), Ricardo Manuel de Oliveira, apresentou soluções de engenharia para a gestão ambiental, como o uso de asfalto absorvente, que tem potencial para amenizar enchentes e permite o escoamento da água para os lenços freáticos. “O engenheiro tem a função de atender a demandas da sociedade, produzindo mais e com menor impacto ambiental”, finalizou Ricardo.

Engenharia Pública

O segundo painel, que tratou da Engenharia Pública na Gestão Municipal foi iniciado pelo conselheiro do Crea-Minas, engenheiro civil  Bernardo Abraão Lopes da Silva que falou sobre o projeto que tem levado aos municípios. “É a nossa forma de contribuir com as prefeituras, ampliando o conceito de engenharia pública. Fazemos levantamento de demandas, elaboramos um diagnóstico e principalmente, capacitamos profissionais locais para atuarem no município. A engenharia é muito mais do que fazer moradias, é atender a prioridades que vêm das necessidades humanas”, explicou.

O presidente da Faea e assessor do Crea-Minas, Jean Marcus Ribeiro, falou sobre o papel das entidades de classe que devem atuar juntamente com o Crea e as prefeituras para a melhoria das cidades. “É importante que haja essa união para uma atuação visando o bem social”, enfatizou Jean.

Já o subsecretario de infraestrutura municipal de 2010/2013 e funcionário de carreira DEER, engenheiro civil Álvaro Eduardo Goulart, ressaltou a necessidade de atuar diretamente com os municípios, respeitando as características e demandas de cada local. “As prefeituras devem entender o papel da engenharia no planejamento e não apenas na correção de problemas. Atuar de forma conjunta sempre gera ganho”, destacou. 

Inteligência emocional e sucesso profissional

À tarde, os trabalhos foram abertos com palestra do engenheiro Leonardo Fabel, diretor da Menthes de Belo Horizonte. Ele destacou a necessidade de se buscar o equilíbrio emocional. “Mesmo nós, engenheiros, que tendemos a racionalizar, precisamos entender que se estivermos desestabilizados emocionalmente, isso pode afetar as nossas decisões”, enfatizou. Leonardo falou do momento ímpar trazido pelas exponenciais mudanças da 4a. Revolução Industrial, destacando a importância de se lembrar que por trás de toda tecnologia há pessoas. 

NBR 15.575

O painel seguinte, NBR 15.575 - Edificações Habitacionais - Desempenho contou com a apresentação da engenheira civil Andreza de Andrade Marciano que falou sobre o impacto da norma nas construtoras, incorporadoras e projetistas. “A Norma de Desempenho traduziu as exigências dos usuários em requisitos e critérios de segurança, habitabilidade e sustentabilidade”, explicou. Andreza disse ainda que a norma é um estímulo à inovação, já que estabelece os resultados a serem alcançados independente da técnica.

Evandro Vieira Ribeiro, diretor da AGQ, falou sobre o déficit habitacional no Brasil. Ele defendeu uma maior atuação do Crea nas discussões e ressaltou o poder da engenharia, principalmente da civil. “A engenharia civil é a única área que conheço que tem a capacidade de gerar renda a curto prazo. Há um déficit habitacional crescente e os engenheiros podem atuar diretamente na solução deste problema”, enfatizou.

Parcerias

A programação contou ainda com apresentação da Mútua por seu presidente, engenheiro civil Marcelo Morais, que destacou a fundamental importância de se estabelecer parcerias com as entidades de classe. Marcelo disse que a ideia é que as entidades sejam representantes da Mútua. Ele ressaltou a intenção de criar escritórios regionais para ampliar o atendimento aos profissionais.  

A Cemig Distribuição também participou falando sobre Segurança da População – Obras civis x rede elétrica de distribuição. A apresentação do engenheiro de Tecnologia e Normalização Fábio Carvalho falou da intenção de se firmar parceria com o Crea para que o Conselho contribua com a redução de acidentes relatando à Cemig situações de risco. “Quando um fiscal do Crea vir alguma coisa errada, como andaimes próximos a rede elétrica, pode nos avisar. Se somarmos forças, podemos reduzir os acidentes”, destacou.

Ferro12

Outra palestra ficou a cargo do engenheiro civil e membro do Comitê Organizador do Simpósio Internacional de Ferrocimento - Ferro 12, Paulo Henrique Francisco dos Santos. Ele fez uma breve apresentação da história do ferrocimento e sua utilização em Minas Gerais. O objetivo foi divulgar o simpósio que ocorrerá no Crea-Minas, de 15 a 18 de julho deste ano. Esta é a primeira vez que a série de simpósios, iniciada no final da década de 1970, é realizada na América do Sul. 

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