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A  engenharia está começando a se recuperar economicamente da recessão vivida nos últimos anos, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho. Contudo, segundo o Índice de Confiança Robert Half, os engenheiros ainda lideram a lista de profissionais qualificados com maior saldo de demissões. Dentre várias ocupações, o índice destaca as engenharias como tendo o menor número de contratações e o maior de demissões, levando em conta os dois últimos trimestres de 2017.

O Índice de Confiança Robert Half monitora os profissionais empregados e desempregados com relação ao mercado de trabalho e economia, utilizando dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pesquisas de mercado. A Robert Half é uma empresa de recrutamento especializado.

O Vale da Eletrônica

Enquanto o Brasil busca reerguer-se após a crise que afetou a engenharia, a região da cidade de Santa Rita do Sapucaí, em Minas Gerais, vive uma realidade diferente. O chamado Vale da Eletrônica reúne um parque tecnológico aberto, que não possui muros, é descentralizado e é polo nacional da eletroeletrônica. “É sabido que estamos vivendo um cenário de crise econômica no país, mas o Vale da Eletrônica segue melhorando dia após dia, mesmo em meio às dificuldades. E, consequentemente, a engenharia também”, acrescenta a inspetora-adjunta de Santa Rita do Sapucaí, engenheira de controle e automação Camila Sales Pinto.

O Vale conta com empresas tradicionais, startups, spin-offs, incubadoras, centros de capacitação em empreendedorismo, instituições de ensino e centros de pesquisa e desenvolvimento. De acordo com o Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Vale da Eletrônica (Sindvel), o parque produz cerca de 15 mil produtos e emprega, aproximadamente, 15 mil pessoas. “O Brasil, hoje, oferece para o mundo produtos com tecnologia de ponta, que se destacam no mercado. Isso devido a competência e expertise de Santa Rita do Sapucaí”, destaca o presidente do Sindvel, Roberto de Souza Pinto.

Arranjo produtivo na engenharia

Em Santa Rita, as empresas mantém vínculos de produção, interação, cooperação e aprendizagem, com apoio do setor público, constituído um interessante Arranjo Produtivo Local (APL). A articulação de empresas de todos os tamanhos e o aproveitamento da coesão gerada por suas interações fortalecem suas chances de sobrevivência e crescimento, constituindo-se em importante fonte de vantagens competitivas duradouras.

Segundo o professor e gerente executivo de inovação do Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), engenheiro Rinaldo Duarte Teixeira, o grande diferencial do Vale da Eletrônica é a sinergia entre o tripé: indústria, governo e academia. “Tudo começou quando a Inatel criou incubadoras de empresas e fomentou a pesquisa voltada para a indústria. A partir disso, o conhecimento especializado da faculdade foi colocado em prática nas empresas e startups. Tudo isso com investimento do estado e do município”, explica Rinaldo.

O Crea-Minas também está inserido nesse processo e possui parcerias com diversas organizações da região, buscando dar suporte às atividades e fomentar as inovações. “O Conselho está presente na região de Santa Rita do Sapucaí, apoiando a atividade industrial e incentivando o desenvolvimento das atividades acadêmicas. Nós temos o papel de zelar pela região, dando a confiança que a engenharia merece”, afirma o inspetor-chefe de Ponte Nova, Leonardo Mariano.

 

Foto: Arquivo Sindvel