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Conhecimento técnico para o bem comum. É com esta disposição que 326 profissionais vinculado aos Crea-Minas, 66 deles filiados à Associação de Engenheiros Arquitetos e Agrônomos do Vale do São Francisco, participam de mobilização solidária para projetar e reformar, em regime de cooperação, as instalações internas das unidades prisionais da região. O presidente da Assenasf e inspetor-chefe do Crea-Minas em Januária, engenheiro de segurança do trabalho José Vanderval Melo Júnior, lembra que a iniciativa partiu da associação, que procurou representantes do Tribunal de Justiça e Ministério Público afim de apoiar um projeto para a  construção de uma fábrica de bloquetes na Associação de Proteção e Assistência ao Condenado de Januária, dentro do projeto “Construindo Novos Caminhos."

José Vanderval Melo Júnior - Surgiu a ideia de procurarmos o promotor e o juiz. E como sabia do projeto de implantação da fábrica de bloquetes, solicitei que nós profissionais da Engenharia pudéssemos participar. Desde o projeto de elaboração do projeto até o acompanhamento das obras, do calçamento de ruas, praças e ciclovias. Um trabalho que será realizado pelos recuperandos. Tudo isso de forma totalmente voluntária, a custo zero para o Estado. 

A princípio, a consultoria voluntária atenderia apenas a Apac, unidade prisional onde as regras de convivência são diferenciadas, como ausência de policiais e o controle da disciplina por internos. Mas o juiz viu na parceria com os engenheiros oportunidade de ampliar a assistência especializada. Pediu então apoio em projetos para os presídios de Januária e Itacarambi.

José Vanderval Melo Júnior - Foi então que coloquei à disposição do Judiciário e Ministério Público todos os serviços de Engenharia que eles precisassem para a Apac e demais presídios da região. Desde o desenvolvimento de projetos a  acompanhamento de obras, reformas, ampliação de celas. E também a implantação de sistemas de segurança contra incêndio e pânico, inclusive com a formação de brigadistas junto aos recuperandos.Constatei, como engenheiro de segurança do trabalho, que as instalações estavam bastante precárias nas três edificações. 

Pelo convênio,  cinco municípios da comarca de Januária serão responsáveis pelo fornecimento de maquinário, matéria-prima e a própria aquisição dos bloquetes. A produção será supervisionada por engenheiros vinculados à inspetoria do Crea-Minas no município.

José Vanderval Melo Júnior - Por outro lado, para eles é muito interessante. A cada três dias trabalhados, há a redução de um dia na pena deles. Assim, contribuímos para a ressocialização deles, que terão a oportunidade de sair dali com uma qualificação na área da construção civil. Isso é muito importante. 

Os apenados do regime fechado vão trabalhar na fabricação e os do semiaberto na colocação dos blocos na rua.