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O Rio Verde Grande, um dos principais afluentes do Rio São Francisco, no Norte de Minas Gerais, está em estado crítico. A estiagem prolongada, o assoreamento e exploração indevida do rio, promoveram um aumento significativo da exploração de água através de poços. O recurso traz sérios impactos às reservas subterrâneas. Hoje, mais de 50% das cidades brasileiras são abastecidas por estes mananciais existentes debaixo da terra. O alerta foi feito pelo geólogo Leonardo Almeida, especialista em recursos hídricos da Agência Nacional de Águas, ANA.

Leonardo Almeida  - “Esse caso agora do Verde Grande é bem emblemático, nos não temos mais agua superficial, o rio verde grande secou. Nos períodos de escassez hídrica ele não tem mais agua correndo e todos os usuários partem pro poço. Então  hoje nos já temos no Brasil mais de 50% das cidades sendo abastecidas por águas subterrâneas. Existem grandes centros urbanos que são abastecidos exclusivamente por aguas subterrâneas. Então esses aquíferos já são um grande aporte de agua pra grandes cidades brasileiras”.

Leonardo foi um dos palestrantes do o II Simpósio Latino Americano de Monitoramento de Águas Subterrâneas. O evento, na sede do Crea-Minas, em Belo Horizonte, foi realizado 12 anos após o I Simpósio que estimulou a implantação de redes de monitoramento hidrogeológico em nível federal e estadual. Na agenda, os aquíferos tiveram atenção especial dos palestrantes. Os aquíferos são formações geológicas subterrâneas que funciona como reservatório de água. São rochas com características porosas e permeáveis capazes de reter e ceder água. Mas é preciso atenção às áreas de recarga, pontos que permitem a infiltração das águas da chuva. A impermeabilização do solo impede que esta fonte natural chegue aos reservatórios.

Leonardo Almeida  - Nós temos um problema muito grande de recarga nas zonas urbanas porque nossa superfície já está toda impermeabilizada então essas aguas de chuva não infiltram e não recarregam o aquífero. Elas escoam e vão diretamente pras drenagens superficiais. Então nos precisamos ter esse conhecimento do que está sendo explotado hoje para fazer um gerenciamento adequado precisamos preservar as zonas de recarga. Basicamente essas são as principais medidas para ter a preservação desses aquíferos.

O Aquífero Guarani é o maior reservatório de água doce da América Latina. Ele abrange parte dos territórios da Argentina, do Brasil, do Paraguai e do Uruguai. Ele possui um volume acumulado de 37.000 kme área estimada de 1 milhão e 87 mil Km2. Na parte brasileira estende-se a oito estados: Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. Há dias o governo brasileiro desmentiu a notícia, veiculada através de redes sociais, da venda do aquífero para empresas multinacionais.

Leonardo Almeida  - Esse volume do aquífero como um todo é bem complexo, mas nos temos poços de altíssima vazão, que irrigam pivôs, enfim, os aquíferos tem um potencial muito grande.

De acordo com a Constituição Federal, a gestão e a autorização para o uso de águas subterrâneas, inclusive para a perfuração de poços, são competências dos estados. Em Minas, esta condição é de responsabilidade da Secretaria do Meio Ambiente, SEMAD, do Instituto Mineiro de Gestão das Águas, IGAM, e da Fundação Estadual do Meio Ambiente, FEAM.