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Em março de 1917Edwiges Maria Becker Hom'meil entrava para a história como a primeira mulher a se formar em engenharia no Brasil. Ela estudou na Escola Polythecnica do antigo Distrito Federal, hoje a Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Já em Minas Gerais, Iracema Brasiliense foi a primeira a receber o título de engenheira civil pela Escola de Engenharia de Belo Horizonte, atual Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em 1922. 

Mais de cem anos depois da formatura da primeira engenheira brasileira, a participação feminina na área tecnológica ainda está longe de alcançar igualdade com os homens. Dos mais de 180 mil profissionais ativos registrados até março deste ano, cerca de 24 mil são mulheres, contabilizando 12%. A presença maior de mulheres é nas modalidades de civil, seguida por agronomia, mecânica e metalúrgica, e elétrica. Para a diretora Técnica e de Fiscalização do Crea-Minas, engenheira civil e de segurança do trabalho Graça Lage, é preciso percorrer um longo caminho para reduzir essa diferença e estimular a atuação feminina nas diversas modalidades das engenharias. “A predominância do sexo masculino no setor se deve a uma condição cultural do país, mas essa é uma situação que vem mudando. A mulher tem perfil dinâmico, sempre se posiciona com relação a seus direitos e deveres, portanto pode atuar com mérito onde quiser. A engenharia não é um trabalho apenas braçal, é também um ato de engenhar e contribuir para o desenvolvimento da sociedade”, destacou. 

No plenário do Crea-Minas, 11% de conselheiros são mulheres. Também fica neste patamar, 10% o número de inspetoras do Conselho. Uma delas é a inspetora-chefe de Belo Horizonte,engenharia civil Júnia Neves, que há 18 anos ocupa várias posições no Sistema. “Já fui diretora da Mútua, inspetora, presidente da Associação dos Engenheiros e Arquitetos da Prefeitura de Belo Horizonte. Não abro mão de estar aqui dentro. É um espaço que conquistei e que eu gosto. As mulheres deveriam estar mais presente nas discussões da área tecnológica, nas entidades e na governança delas”, ressaltou.