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Segundo dados da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), em 2016, Minas Gerais tinha 738 estruturas de barragens, sendo que 439 são de mineração e 96 de tipologia industrial, reforçando o peso da mineração na economia de Minas Gerais. “A mineração é um dos pilares da nossa economia e propiciar um ambiente seguro, aliado à introdução de novas tecnologias, é o mínimo que se possa fazer para a realização dessa atividade”, enfatizou o superintendente de Relações Institucionais do Crea-Minas, engenheiro civil Marcos Gervásio na abertura do I Seminário Internacional de Tecnologia e Gestão de Barragens.

O evento, promovido pelo Governo de Minas, por meio da Feam, foi realizado na sede do Crea-Minas nos dias 24 e 25 de janeiro de 2018 e reuniu especialistas brasileiros e estrangeiros, representantes de órgãos fiscalizadores e do setor acadêmico, para discutir avanços e desafios no setor de barragens. 



O engenheiro de minas José Fernando Coura, presidente do Sindicato da Indústria Mineral do Estado de Minas Gerais (Sindiextra), reforçou que a preocupação central é a segurança da população e que debates e discussões sobre a gestão de barragens são necessárias para o bom exercício da engenharia. Ricardo Machado Ruiz, vice-presidente da Agência de Promoção de Investimento e Comércio Exterior de Minas Gerais (Indi), compartilha dessa opinião e destacou que é preciso monitorar os desdobramentos das discussões realizadas. Nesse sentido, o embaixador do Reino dos Países Baixos Hans Peter adiantou aos participantes que foram convidadas 10 empresas holandesas para compartilhar experiências no monitoramento, modelagem e processamento de dados, avaliação de riscos e tomada de decisão, entre outros temas. “A Holanda tem grande experiência, já que metade do país fica abaixo do nível do mar, diques e barragens estão em nosso DNA˜, afirmou. 



O modelo de governança da Holanda em gestão de barragens e as tecnologias que subsidiam as tomadas de decisão foram fundamentais para a escolha do país para a troca de experiências durante o Seminário segundo Germano Luiz Gomes Vieira, secretário de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais. “Embora não seja da área de engenharia, destaco dois aspectos da tecnologia holandesa que considerei muito interessantes para a gestão de barragens. Um deles é a forma de monitoramento em que as empresas são responsáveis por compartilhar dados pari passu das barragens, em linguagem que permita o governo e toda população acompanhar o que ocorre. O segundo é minimizar a presença de água na composição do rejeito e o seu reuso no processo produtivo˜, citou o secretário.


Gestão de Riscos


O professor do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade de Brasília (UNB) André Pacheco de Assis acredita que o desastre de Mariana trouxe a oportunidade de refletir sobre os processos de gestão de barragens. “Houve acidentes maiores, mas o fato de ser uma empresa como a Samarco, reconhecida no mercado pela sua qualidade técnica, fez com que a indústria de minas mundial se mobilizasse para redefinir parâmetros na gestão de risco de barragens˜, explicou o professor. André Assis defende que haja uma gestão de risco em que se trabalhe com resultados probabilísticos e não determinísticos como é atualmente. Ele argumenta, ainda, que o risco de engenharia precisa ser monetizado para que as contratações de projetos e obras sejam mais seguras para a sociedade. “Uma vez que o risco é monetizado, ele entra para o orçamento da empresa e também facilita a tomada de decisão”, avalia.

Órgãos de Fiscalização

O primeiro painel tratou dos avanços e desafios na gestão de barragens na visão dos órgãos de fiscalização. Os palestrantes exprimiram os esforços de suas instituições para aperfeiçoar a gestão de barragens, principalmente após o rompimento da barragem em Mariana.

O diretor de Gestão de Resíduos da Feam, o engenheiro químico Renato Brandão explicou a classificação de danos das estruturas utilizada pela Fundação para a estipulação de regras e auditorias e o superintendente estadual do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), Pablo César de Souza, focou nos processos desenvolvidos pelo DNPM para uma inspeção confiável, destacando a atualização dos dados de todas as barragens brasileiras.

Por sua vez, o engenheiro de Minas José Luiz  Amarante, diretor de Transformação e Tecnologia Mineral do Ministério de Minas e Energia, reforçou a importância das ações dos órgãos de fiscalização, enfatizando a escassez de recursos e ao impacto ambiental promovidos pela mineração, destacando a abundância de resíduos acumulados e o crescente consumo de minérios no Brasil.

Tecnologias

O segundo painel discutiu os avanços e desafios na implementação de tecnologias para gestão de barragens. A gerente de Gestão de Riscos Geotécnicos da Vale, Marilene Lopes, expôs o método de trabalho da Vale com a utilização de um sistema integrado de tecnologia e gestão de barragens, enfatizando a necessidade de se aliar o conhecimento técnico, a execução dos processos, a tecnologia e a governança.

O engenheiro civil Leonardo Pereira Padula, gerente de Barragens da Kinross, apresentou experiências da empresa na gestão de barragens e disposição de rejeitos, apontando como desafios o aperfeiçoamento do sistema de monitoramento e a utilização de drenagens temporárias nas barragens, além da constante realização de treinamentos profissionais. Fechando o painel, a geóloga Silvana Brandão Fontes Cembranelli, da Mosaic Fertilizantes, abordou a experiência na aplicação de microssísmica e geofísica na avaliação de segurança de barragens de contenção de rejeitos.

Experiência holandesa 
 


O segundo dia do Seminário foi dedicado à experiência da Holanda em tecnologia para a gestão de barragens. As empresas Deltares, Van Essen e Eijkelkamp abordaram o monitoramento, modelagem e processamento de dados, destacando o processo de monitoramento dos diques através da coleta de dados online, prevenção de riscos e o trabalho com sondagens e amostragens de rejeitos e água subterrânea.



A avaliação de riscos, tomada de decisão, disposição de rejeitos, dragagem e desaguamento foram outros pontos discutidos pela Witteveen & Bos, Arcadis e Intech. Os representantes das empresas foram unânimes em afirmar que, para garantir adequada segurança na construção de uma barragem, é indispensável ter um projeto de engenharia adequado, desenvolver novas tecnologias, além de realizar inspeções e avaliações periódicas transparentes. 


Experiências relativas a disposição de rejeitos, dragagem e desaguamento foram compartilhadas pela Damen, De Boer e Hencon. Na dragagem, que consiste na remoção de materiais, sedimentos e rochas do fundo de rios e lagos, os especialistas apontam que os desafios são reduzir potencialmente os impactos ambientais, diminuir custos operacionais e recuperar bem os rejeitos.

Confira as fotos do evento!

https://www.flickr.com/photos/crea-minas/albums/72157668819658519

 

Seminário Internacional de Gestão de Barragens