Com o tema “Política Energética Nacional – Projetos e Reformas para um Novo Marco Legal”, o Confea deu prosseguimento, no dia 03 de dezembro de 2020, ao Ciclo de Debates Engenharia e Infraestrutura, aberto no mês passado por um debate com o Ministério do Desenvolvimento Regional e que envolverá ainda o Ministério de Infraestrutura. Durante duas horas, conduzidas pelo coordenador-adjunto da Comissão de Controle e Sustentabilidade do Sistema (CCSS), engenheiro eletricista José Miguel de Melo Lima, os debatedores engenheiros eletricistas Roberto Veiga (Abimaq) e Dyógenes Rosi (Grupo EDP) e químico Rodrigo Lopes Sauaia (Absolar) debateram em torno da palestra apresentada pelo secretário-executivo adjunto do Ministério de Minas e Energia, engenheiro civil Bruno Eustáquio Carvalho. 

“A energia é uma questão estratégica. Mas é aqui no Brasil que se possui as matrizes energéticas mais limpas do mundo onde quase 50% da energia gerada no país tem origem em fontes renováveis. Nesse contexto, ressaltamos o papel do Conselho Nacional de Políticas Energéticas – CNPE, responsável pelas políticas e diretrizes de energia que vamos discutir. A ausência de uma política energética eficaz por parte do governo pode comprometer todo o desenvolvimento do país. E é isso que torcemos que não aconteça nunca. O Sistema Confea/Crea tem como missão principal a fiscalização da prestação de serviços técnicos e execução de obras relacionadas à Engenharia e à Agronomia, com a participação do profissional habilitado. Regulamentando o exercício da profissão, o Confea zela pelos interesses sociais e humanos de toda a sociedade”, comentou o conselheiro federal José Miguel de Melo Lima.

Previsão de investimentos

Vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e presidente do GT de Energia Solar e do Conselho de Energia Eólica da entidade, além de membro do Conselho Temático da Indústria da Defesa e Segurança (Condefesa), o engenheiro eletricista Roberto Veiga se baseou no Plano de Expansão de Energia 2020-2029 da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) para destacar os investimentos na ordem de R$ 350 bilhões nos setores eólico e solar, com crescimentos estimados na ordem, respectivamente, 24 GW e 8 GW, de geração centralizada e distribuída.

Com 37 anos de experiência, tendo participado da chegada das usinas eólicas ao país, em 2005, Veiga considera que “no Brasil se corre o grande risco de pular a fase do produto, saindo do recurso, direto para o serviço”, disse, retomando a fala do secretário. “Com a ida do ministério de Indústria e Comércio para o ministério da Economia, não temos nenhum plano de desenvolvimento industrial”, apontou, elogiando o plano Decenal. “Há um buraco muito grande, onde nós podemos perder grande parte desses R$ 350 bilhões para as indústrias que estão localizadas fora do país. E aí, falando como engenheiro e aos engenheiros que estão nos assistindo, infelizmente, nós não teremos como participar dessa industrialização desse setor, se algumas coisas não mudarem, no que diz respeito aos editais dos leilões que nós temos pela frente”, comentou, informando que o ministro Bento Albuquerque tem manifestado entender esse pleito.

Ciclo de debates de engenharia participantes

Clamor

Roberto Veiga ponderou que o país conta atualmente com editais com potências instaladas de turbinas eólicas já ultrapassadas. “Temos a tarifa mais baixa mundialmente falando, se dolarizarmos a tarifa. E ainda conseguimos, com a carga tributária que temos toda no país, produzir e entregar turbina, dando margem aos fabricantes. Hoje, nós temos um plano muito bem feito de incremento, baseado em energia eólica e solar. Mas nós estamos carregando a industrialização feita em outros países nas costas”, disse, fazendo referência a uma placa fotovoltaica de origem sul-coreana instalada em seu escritório.

“É por isso que eu venho aqui em nome das milhares de indústrias associadas que clamam para participar desse mercado e clamam para que os editais prevejam a potência que se está fabricando atualmente”, disse, apontando que hoje não existe imposto de importação para nenhuma turbina eólica, enquanto o investimento feito para trazer seis fabricantes de turbina para o país hoje esbarra na alta carga tributária e em editais que não favorecem a fabricação nacional. “Só quem fabrica turbina, sabe da tecnologia de ponta embarcada nisso. São mais de oito mil diferentes itens em uma turbina, e nós corremos o risco de participar somente da prestação de serviços, que seria a instalação de turbinas da Europa, dos Estados Unidos e da Ásia”. 

“Nós engenheiros temos que nos engajar nisso porque nós temos já instalada no Brasil a capacidade de fabricar turbinas de até 5MW. Nós temos fábricas de pás eólicas de 70 metros no Nordeste brasileiro, que já fabricam isso aqui dentro do país. Então, eu vejo aí uma oportunidade muito boa de uma grande parte desse investimento da ordem de 350 bilhões de reais ficar aqui dentro. E também envolver as universidades, envolver a cadeia produtiva instalada no Brasil. Nós temos toda a competência para fabricar qualquer tipo de produto no Brasil. A engenharia no Brasil merece os parabéns pela rápida adaptação e pela capacidade de desenvolver diversos produtos, de diversos setores, quanto mais no setor de energia e ainda mais no setor de energia renovável, que está sendo muito valorizada”, argumentou. 

 

Fonte: Confea
Henrique Nunes/Equipe de Comunicação