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Após anos de análises e aprimoramentos, a norma ABNT NBR 16747:2020 está à disposição da sociedade. Ela é resultado do trabalho desenvolvido desde 2013 pela Comissão de Estudo de Inspeção Predial do Comitê Brasileiro da Construção Civil. Publicado no dia 21 de maio pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), o documento fornece diretrizes, conceitos, terminologia e procedimentos relativos à inspeção predial, visando uniformizar metodologia, estabelecendo métodos e etapas mínimas da atividade. A demora se deve ao processo de elaboração de normativos.

Um movimento democrático, aberto à participação de profissionais, empresas, universidades, conselhos de classe, órgãos reguladores e também cidadãos, usuários finais. A norma brasileira se aplica a edificações de qualquer tipo, públicas ou privadas, orientando uma avaliação global, fundamentalmente, por meio de exames sensoriais por profissional habilitado. O engenheiro civil e de segurança do trabalho Carlos Rossi entende bem esta dinâmica de trabalho. Ele representou o Crea-MG e o Confea, pela região Sudeste, na Comissão de Estudos do Comitê Brasileiro da Construção Civil para revisão da NBR 6492:1994. Hoje, participa desse debate, como secretário da Comissão pela Associação de Engenheiros de Pouso Alegre e destaca a importância da adesão de profissionais na elaboração de normas da ABNT.

Carlos Rossi – Entendemos que os profissionais da Engenharia, tanto na colaboração e na elaboração dos normativos, principalmente nos relativos ao seu campo de atuação profissional, seja como membro do comitê ou como participante da consulta nacional, se fazem fundamentais e de grande responsabilidade. Porque toda sua atuação profissional estará sempre vinculada a essas normas, uma vez que as mesmas têm força legal. Seja na proteção da sociedade, dos usuários, seja na elucidação de quaisquer problemas que venham a ocorrer. O normativo se faz necessário para a segurança dos usuários e dos profissionais. Citando um exemplo, a aplicação desse normativo pode evitar diversas situações de acidentes, como por exemplo, a queda de marquises.

O engenheiro civil Guilherme Augusto Oliveira, conselheiro do Crea-MG, lembra que uma edificação permanece em uso por décadas. Por conta disso, é preciso valorizar a inspeção predial, com análises periódicas feitas por profissionais habilitados, que também devem estar atualizados.

Guilherme Augusto Oliveira – E a norma tem um procedimento estabelecido por profissionais que fazem essa inspeção predial. Eles terão um roteiro específico para a implementação desses procedimentos, de tal forma que possa uniformizar cada vez mais os resultados, os produtos decorrentes dos relatórios de inspeção predial. De tal forma, sobretudo, a sociedade quando precisar efetivamente de um trabalho de inspeção predial, deve contratar profissionais habilitados e registrados no Sistema Confea/Crea. Com isso, vai garantir que aquele profissional teve sua capacitação reconhecida pela instituição de ensino. E o curso teve a sua verificação de conteúdos feita pelo Sistema Confea/Crea

O trabalho teve origem na Norma de Inspeção Predial nº 2.012, do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia (Ibape). A oferta se baseou no entendimento de que uma norma brasileira poderia preencher lacuna referente à avaliação e acompanhamento técnico da manutenção, conservação e condições de segurança das edificações. Tanto que o texto de apresentação deixa clara a importância de se uniformizar a metodologia a ser empregada na inspeção predial.