Pesquisar no site...

Ouça na Rádio Crea-Minas ou leia na íntegra

Estudantes e recém-formados das áreas da engenharia, agronomia e geociências de todo o estado acompanharam no sábado, 03 de agosto de2019, a palestra do professor emérito da UFMG Clélio Campolina. O encontro de gerações ocorreu durante o XVI Seminário de Jovens Lideranças, promovido pelo Crea Jr-MG, em Belo Horizonte. Engenheiro mecânico e pós-doutor em Economia, ele falou sobre a Corrida Científica e Desendustrialização Brasileira. Ex-ministro da Ciência e Tecnologia, Campolina apresentou indicadores econômicos e alertou que o país precisa investir mais em pesquisa e desenvolvimento.  Ele destacou que 49% do investimento em inovação, entre 2010 e 2015, foram aplicados por países da Ásia. Em 2017, acadêmicos da China fizeram 500 mil publicações científicas em inglês. No Brasil, foram cerca de 68 mil títulos. Lembrou ainda que o capital precisa migrar da escala financeira para a produtiva e ressaltou que a engenharia deve ser valorizada para impulsionar a retomada da economia. E, para isso, repetiu que é preciso ser dialético na análise e cartesiano na ação.

Sonora Clélio Campolina: O país precisa de voltar a planejar, tem que definir objetivos e tem que operacionalizar estes objetivos. E se o país não retomar obras e indústrias vamos continuar de forma manca e isso aí tem impactos social e político fundamentais. Sem engenharia como etapa para ajudar a adaptar as tecnologias e implementá-las, o futuro do país está condenado.

Com mais de 40 anos dedicados ao exercício da docência, da pesquisa acadêmica e da gestão universitária, Campolina alertou aos jovens que é preciso mudar o sistema de distribuição de renda no país e também melhorar o planejamento das cidades. O Brasil tem 13 aglomerações urbanas, todas com problemas estruturais, como saneamento, transporte e mobilidade urbana. Um drama, de difícil solução, segundo ele. Ele também lembrou do compromisso ético e moral na qualificação dos jovens e elogiou a formação de lideranças a partir de mobilizações como a realizada pela Crea Jr-MG.

Sonora Clélio Campolina: Dizia o Desmond Tutu que a juventude é a maior invenção da humanidade. Então, você tem que motivar esses jovens. Eu sou velho, mas continuo tendo otimismo, porque senão a vida fica difícil e a gente não constrói nada para o futuro.

Por fim, Campolina explicou que vivemos o sexto ciclo de Kontratiev, cientista russo que demarcou os limites do tempo a partir de avanços tecnológicos. Este é pontuado por mudanças tecnológicas e transdisciplinaridade, e inteligência artificial. Ele disse que o conhecimento ainda está sendo criado e há riscos e oportunidades. Mas ressaltou que o Brasil tem exemplos vigorosos para saltos inovadores, como Embrapa, Embraer, Petrobrás, e empresas do sistema energético, como a Cemig. E encerrou dizendo ser imperativo investir na engenharia, com planejamento, metas e liderança.

 

Veja mais:

XVI Seminário de Jovens Lideranças debate empreendedorismo e o futuro da tecnologia no país

Premiação e balanço da gestão marcam encerramento do XVI Seminário de Jovens Lideranças

Presidente do Crea-MG recebe coordenadores do Crea MG-Jr para um bate-papo

Ênio Padilha ensina que carreira se faz com melhores escolhas