Belo Horizonte realizou, no dia 24 de abril de 2019, o CEP Inspetorias que precede o Congresso Estadual de Profissionais (CEP-MG). O evento ocorreu na sede do Crea-MG, onde se reuniram os profissionais. Também participaram do encontro o vice-prefeito de Belo Horizonte, engenheiro eletricista Paulo Lamac; o diretor de Operações Norte da Copasa, engenheiro civil Gilson Queiroz; o presidente do Sindieletro, geógrafo Jefferson Silva; o diretor-geral da Mútua-MG, engenheiro industrial mecânico Abelardo Ribeiro de Novaes Filho; o coordenador-geral do Crea-Jr MG, núcleo BH, Aécio Gabriel e; a secretária de Obras de Betim, engenheira civil Marinésia Dias da Costa Makatsuru.

Na abertura do evento, o presidente do Crea-MG, engenheiro civil Lucio Borges, destacou a importância de se realizar o CEP Inspetorias. “Belo Horizonte é mais uma etapa do nosso CEP. Fizemos questão de realizar essa primeira etapa nas 63 inspetorias do Conselho. Estamos indo às cidade, discutindo e formulando propostas. O CEP é, provavelmente, o maior evento de nossa gestão. É a melhor oportunidade que os profissionais têm para opinar, propor, participar”, afirmou Lucio.

A discussão foi aberta com uma palestra do engenheiro eletricista e mecânico Aloísio Vasconcelos, ex-deputado federal (constituinte) e estadual, que alertou sobre o risco de se privatizar a Cemig. Ele, que foi diretor da companhia e presidente da Cemig Telecom e da Eletrobrás, explicou a importância da companhia, de quase 70 anos, para o estado de Minas Gerais e contou um pouco da história da fundação da Cemig. Aloísio destacou que, em 1952, Juscelino Kubitschek entendeu que, para cumprir seu slogan de campanha, o binômio "energia e transporte", precisava de oferecer uma boa energia para atrair empresas. E então, juntou as pequenas usinas do estado e criou a Cemig que chegou a ter a maior rede de distribuição da América Latina. “A Cemig é uma empresa lucrativa e precisa ser preservada”, defendeu Aloísio.

Ele explicou que a Cemig tem um programa de eletrificação rural que, se for privatizada vai parar, além de um papel social no meio urbano. “Hoje ainda temos 19 mil famílias no campo sem energia em casa. A eletrificação rural não dá lucro, o ganho é o homem do campo, as famílias receberem a luz em casa. Nas cidades, a Cemig auxilia as Santas Casas, hospitais filantrópicos e creches, concedendo descontos de até 50% nas contas de energia. Isso não pode acabar. Precisamos preservar a Cemig para Minas Gerais”, enfatizou. 

O presidente do Sindieletro Jefferson Silva também destacou o fato de que se a Cemig for privatizada, não haverá expansão em áreas não lucrativas. Ele citou o caso da Usina de Irapé, no Vale do Jequitinhonha, que o setor privado não se interessou. “Era uma área que não atraia investimento privado, mas que teve uma relevância social enorme, além de hoje, proporcionalmente, ser uma usina lucrativa”, afirmou. Aconstrução da usina de Irapé gerou cerca de 12 mil empregos diretos e indiretos dinamizando a economia local e regional. No seu pico de construção, no final de 2004, a obra empregou 3,7 mil pessoas, entre engenheiros, operadores de máquina, mecânicos, operários de construção e montagem, pedreiros, serventes, técnicos diversos e motoristas.

O diretor da Copasa, Gilson Queiroz, apresentou alguns números sobre abastecimento de água e saneamento em Minas e falou sobre o envolvimento dos profissionais do Sistema nas cadeias produtivas da mineração, agronegócio e outros para subsidiar a elaboração de propostas. Gilson falou sobre a importância de o estado manter a Copasa. “Precisamos escolher o desenvolvimento que a gente quer. Há ainda muito espaço para as empresas privadas, mas o Estado precisa ser o indutor de políticas públicas, atendendo, principalmente, as áreas menos lucrativas”, argumentou.

Para a inspetora-chefe de Belo Horizonte, engenheiro civil Júnia Neves, o evento teve uma aceitabilidade muito grande. “Conseguimos uma grande participação e acredito que sairão daqui muitas propostas que devem chegar a etapa nacional. Belo Horizonte pode ter propostas muito fortes”, destacou. Júnia acredita que o formato de fazer os CEP Inspetorias é um diferencial em Minas Gerais. “Ouvir desde a ponta traz um retorno muito grande porque ampliamos a participação do profissional”, afirmou.

Após discutirem Estratégias da Engenharia e da Agronomia para o Desenvolvimento Nacional, tema do 10º Congresso Nacional de Profissionais (CNP), os participantes formularam propostas observando os cinco eixos temáticos: inovações tecnológicas, recursos naturais, infraestrutura, atuação profissional e atuação das empresas de engenharia. 

As 36 propostas aprovadas pelos quase 100 profissionais participantes do evento em Belo Horizonte seguem para a etapa da região Metropolitana. Os profissionais serão representados, na próxima etapa, por 32 delegados. 

10º CEP/CNP - O CEP/CNP é um fórum organizado pelo Confea, apoiado pelos Creas e pelas entidades nacionais, que tem por objetivo discutir e propor políticas, estratégias, diretrizes e programas de atuação, visando à participação dos profissionais das áreas abrangidas pelo Sistema Confea/Crea no desenvolvimento nacional, propiciando maior integração com a sociedade e entidades governamentais. 

A série de eventos é realizada a cada três anos e conta com o apoio institucional da Mútua, responsável por parte do custeio das atividades e das delegações que vão participar das etapas regional, estadual e nacional. 

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