Essenciais, engenharia, agronomia e geociências mostram seu papel na crise

Há cinco meses o Brasil tenta construir um novo normal. Hábitos e palavras como o uso de máscara, isolamento e distanciamento social, quarentena, álcool 70%, home office, lives e tantos outros foram incorporados à rotina. O novo coronavírus saiu da China e se espalhou pelo mundo abalando as estruturas de produção e relacionamento.

Diversas atividades foram paralisadas e o Brasil perdeu quase 1,2 milhão de postos de trabalho com carteira assinada no primeiro semestre do ano, principalmente no comércio e serviços.

No entanto, alguns setores considerados essenciais como produção, distribuição e venda de alimentos, pesquisa, construção civil, telecomunicações, abastecimento de água, energia e tantos outros relacionados à engenharia, agronomia e geociências não pararam. Só em junho, foram criadas mais de 17 mil vagas na construção civil e mais de 36 mil na agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura, segundo dados do Caged.

Inicialmente, achamos que a situação econômica seria muito mais grave. Ao longo do período, fomos percebendo que alguns setores sofreram impactos menores, principalmente pela sua contribuição e importância na vida das pessoas. Acreditamos que vamos sair mais fortes dessa situação.
Vice-presidente no exercício da Presidência
Engenheiro mecânico Edilio Veloso

Construção Civil

Civil

Em Alfenas, no Sul de Minas, por exemplo, quando a pandemia começou, havia receio de uma retratação no setor da construção civil, que, em janeiro e fevereiro havia apresentado um ótimo crescimento, com muitas novas obras em relação ao último ano. O temor não se confirmou e, de janeiro a julho, foi registrado um crescimento de 111% de novas obras em relação ao mesmo período do ano passado quando se considera o número de cadernetas de obras emitidas conforme determina a Lei Municipal 3.839/2005.


Melhores condições de financiamento e os juros baixos já vinham alavancando a venda de imóveis em todo país. E a pandemia não barrou esse movimento. Em Belo Horizonte e Nova Lima, por exemplo, o mercado imobiliário registrou um aumento nas vendas em maio de 5,8% em relação ao mês anterior de acordo com Censo do Mercado Imobiliário do Sinduscon-MG.


Com as pessoas em casa, aumentou o número de pequenas reformas. A necessidade de adaptar espaços para o trabalho somada à disponibilidade para acompanhar os serviços aqueceram esse mercado. Prova disso é que, a partir de maio, as vendas de cimento registraram um aumento para a chamada autoconstrução (residencial e comercial) e a retomada das obras dos empreendimentos imobiliários, de acordo com o Sindicato Nacional das Indústrias de Cimento. Hoje, esses segmentos respondem por cerca de 80% do consumo no país, registrando um crescimento de 3,6% em relação ao primeiro semestre de 2019.

Agropecuária

Agropecuária

Quem trabalha com extensão rural afirma que não parou nem um dia. Colheita de café, de soja, adubação, tudo dentro do previsto. Com as medidas sanitárias adotadas para combater a propagação da covid-19, o trabalho prosseguiu normalmente.


Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o PIB do setor agropecuário brasileiro deve ter alta de 2,5% em 2020. O levantamento é baseado em dados do IBGE, que destacam o desempenho da produção de soja e do arroz.


A expectativa apresentada pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) de que o Brasil iria se tornar o maior produtor de alimentos ainda em 2020 deve se confirmar. Só os grãos produzidos aqui alimentam cerca de 1,2 bilhão de pessoas em todo mundo, segundo a Embrapa.

Indústria

Indústria

Apesar disso, alguns setores foram atingidos em cheio pela pandemia. Isso porque, no início da pandemia, várias plantas industriais foram fechadas, houve redução de carga horária, antecipação de férias e outras medidas para contribuir com o distanciamento social recomendado pelas autoridades de saúde.


No entanto, já em maio houve um avanço de 7% em relação a abril, no caso da indústria. Mas esse crescimento ainda é insuficiente para reverter a queda acumulada de 26,3% registrada nos meses de março e abril.


De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), em junho, em relação a maio, houve um aumento de 9,3% no faturamento real e de 0,2% no emprego, interrompendo quatro quedas consecutivas.

Setor elétrico

Solar

Com a retração da indústria, houve uma redução da carga no setor elétrico e uma mudança no perfil, com aumento do consumo residencial e diminuição das demais classes, conforme destacou o Operador Nacional do Sistema Elétrico.


Por outro lado, como a construção civil não parou, a demanda pelas atividades de engenharia elétrica, relacionadas ao setor, acompanhou. A manutenção do sistema de fornecimento de energia também se manteve e ajudou a manter o setor ativo.


Além disso, o investimento na diversificação da matriz energética estadual não foi interrompido. Com uma perspectiva de crise, empresas e indústrias começaram a buscar alternativas para reduzir custos e a energia solar tem sido uma boa alternativa, reforçando os aportes nessa cadeia. Com várias obras de linhas de transmissão e a construção dos dois maiores parques solares do Brasil, no Norte do Estado, o setor pouco sentiu os impactos da pandemia.

 

Combate à covid-19

Para auxiliar no combate à pandemia, muitos estudantes e pesquisadores se mobilizaram para desenvolver tecnologias compatíveis com as demandas brasileiras. Esse trabalho foi apresentado pelo Crea-MG em uma série de matérias que mobilizaram a imprensa mineira. Confira:

Engenharia do bem

A campanha publicitária do Sistema Confea/Crea “Engenharia do Bem” começou em maio e ressalta a importância do trabalho dos profissionais da engenharia, da agronomia e das geociências na luta contra a covid-19. Além do site  www.engenhariadobem.com,  as iniciativas podem ser conferidas nas mídias sociais dos Conselhos. Algumas delas são mineiras:  

  • engenharia do bem1
  • engenharia do bem2
  • engenharia do bem3

ART

ARTs refletem recuperação frente à pandemia

A dinâmica da economia dos setores também se refletiu nas Anotações de Responsabilidade Técnica (ARTs) registradas no Crea-MG. Com a média do primeiro trimestre superior à média do mesmo período dos últimos oito anos (2012 a 2019), o Conselho viu o número de ARTs despencar em quase 30% em abril.

No entanto, os serviços prestados pelos profissionais da engenharia, agronomia e geociências são essenciais e fez com que esse número subisse rapidamente. Em junho, a quantidade de ARTs já superava a média dos anos anteriores, fechando o semestre com número ligeiramente superior à média dos últimos anos.

O que é ART

É o documento que define, para os efeitos legais, os responsáveis técnicos por atividades no âmbito das profissões abrangidas pelo Sistema Confea/Crea.

Criada pela lei 6.496/77, ART é obrigatória para obras e serviços de Engenharia, Agronomia, Geologia, Geografia e Meteorologia, bem como para o desempenho de cargo ou função para a qual sejam necessários habilitação legal e conhecimentos técnicos nas profissões abrangidas pelo Sistema Confea/Crea.

Para o profissional, o registro da ART garante a formalização do respectivo acervo técnico, que possui fundamental importância no mercado de trabalho para comprovação de sua capacidade técnico-profissional. Para a sociedade, a ART serve como um instrumento de defesa, pois formaliza o compromisso do profissional com a qualidade dos serviços prestados.

Os números comprovam que as nossas profissões são essenciais e alavacam o desenvolvimento. Passado o impacto inicial, quando todos se retraíram, retornarmos gradativamente, ocupando ainda outros espaços demandados pelo novo normal. Esse quadro apareceu, inclusive, nas ARTs.
Vice-presidente no exercício da Presidência
Engenheiro mecânico Edilio Veloso

 


Médias de ARTs no período entre 2012 e 2019 comparado
com os valores de 2020